terça-feira, 4 de novembro de 2014

Porque os humilhados serão exaltados... (A montanha e o grão de areia)


Era uma vez uma montanha imponente que se erguia à beira do mar. Seu topo atingia as nuvens do céu. Ela se orgulhava de sua grandeza e, como rainha em seu trono, reinava soberana, tendo o mar a seus pés, o respeito e admiração dos homens.


Junto à montanha havia uma praia e nela um grão de areia. Era tão comum e pequeno como qualquer outro dos incontáveis grãos que formavam aquela faixa branca entre o mar e a terra.


- Senhora montanha, poderia me dizer o que vê do alto da sua grandeza? Conte-me, por favor, como são os reinos dos homens, os campos, os rios e os vales. Sei que tens visão do mundo e nada se esconde aos vossos olhos. 

Do alto de sua imponência, a montanha olhou com desdém e respondeu: 

- Quem és tu, insignificante grão de areia, para me fazer perguntas e querer saber o que veem os meus olhos? Não percebes a distância que existe entre nós e que jamais perderia o meu tempo conversando com alguém tão pequeno e desprezível? Se tens a pretensão de conhecer o mundo, então que sejas levado nos pés de alguém, para ser deixado por aí, em qualquer lugar, seguindo seu destino anônimo e inútil.

Compreendendo a sua pequenez, o grão de areia se calou. A montanha levantava seus olhos altivos para o horizonte, como se nada tivesse acontecido.
Ao cair da noite, o pobre grão de areia contemplava o infinito dos céus e sua imensidão de estrelas. Distantes a reluzir, pareciam também pequenos grãos de areia a flutuar no espaço. 

Pela manhã, o mesmo sol que iluminava a montanha também fazia brilhar a areia na praia. Uma brisa suave, soprando da terra gentilmente, levantou aquele grão de areia e o lançou no mar. Enquanto afundava lentamente, penetrando na profundeza do oceano, ele pensava triste no seu sonho que tinha. Agora, tudo parecia perdido. Jamais teria de novo a chance de contemplar a beleza do mundo, nem mesmo a majestosa montanha que tanto o desprezava. 

Mas, ao vagar pelas águas, o grão de areia veio a cair na membrana macia de uma ostra aberta, que, ao senti-lo, fechou-se de pronto.

- Quem é você? - perguntou o molusco.

- Sou um pequenino grão de areia que o vento lançou ao mar - respondeu ele.

E os dois começaram a conversar. Quando a ostra ouviu a história do grão de areia e do sonho que tinha, ficou muito triste e começou a chorar. Suas lágrimas o envolveram e ele foi ficando cada dia maior, até se transformar numa linda pérola. 

Um dia, os mergulhadores acharam aquela ostra no fundo do mar. Abrindo-a, descobriram a preciosa pérola. Era a mais bela que jamais tinham visto. 
Vendida por alto preço, acabou se tornando um valioso anel de uma rainha. O grão de areia assim viajou por todos os cantos da Terra. 

Diz a Palavra de Deus que o Senhor Jesus exalta o humilde e abate o altivo. Por isso, muitas vezes somos levados ao deserto, pois sob o intenso calor do dia e o frio da noite, a mais sólida montanha acaba por se transformar em pequeninos grãos de areia.

De certa forma, o grão de areia, na sua pequenez e humildade, é mais forte que a montanha. Está sob o efeito da erosão, esfarela-se a cada dia. Já o grão de areia, por seu próprio tamanho, é praticamente indivisível. 



Autor: Marcelo Crivela

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